
Ontem, no episódio de Anatomia de Grey (Let the Truth Sting) revi-me no papel de uma mãe que deu entrada no Seattle Grace Hospital, com o seu filho adolescente.
O seu filho apresentava mudanças de comportamento suspeitas, e o cirurgião e neurocirurgião do hospital, acabam por diagnosticar hidrocefalia no adolescente.
Revi-me, pelo problema que foi diagnosticado à personagem. É o que fazemos, quando somos confrontados com determinados problemas na nossa vida, revermo-nos na história de alguém…
Curiosamente, sempre estive muito ligada a crianças com problemas. Na minha juventude, fui voluntária num Hospital Pediátrico. A minha função era dar apoio a crianças nas áreas de oncologia, ortopedia e queimados. Depois, mais tarde, no meu trabalho, fui fazendo acompanhamentos a crianças com necessidades educativas especiais. Sempre foi uma área que me interessou.
Mas a verdade, é que, mesmo sendo muito sensível a estas situações, e estando sempre, de alguma forma ligada a elas, vimos estas realidades como uma pseudo realidade, ou uma realidade longínqua.
Depois, quando somos confrontados com a dura e cruel realidade, passamos a viver em função dela e para ela.
Nos últimos meses de 2008, e num curto espaço de tempo, a minha vida passou a ser à volta do diagnóstico da R, entre médicos, neurocirurgiões, neuropediatras, obstetras, a viver entre um e outro hospital, a ser submetida a exames, ressonâncias.
Hoje tenho aversão a tudo o que esteja relacionado com hospitais, médicos e afins, mas a minha vida continua e continuará a ser à volta do diagnóstico da minha filha mais nova e andarei sempre a tentar rever-me na história de alguém…