terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Sempre Natal

Às vezes demoramos demasiado tempo a perceber certas coisas…
A perceber o que realmente importa,
O que tem significado para nós,
O valor que damos aos lugares, às situações,
As pessoas que nos preenchem,
O amor que sentimos por alguém,
A entender o que a vida nos dá, só que…
Demoramos, às vezes, demasiado tempo.
E demasiado tempo pode ser tarde de mais. Tarde demais para amar, apreciar, ouvir, querer, sentir, olhar, desejar.
Porque o tempo tem um tempo e esse tempo pode não chegar para dizer o que sentimos, mostrar o que pensamos, gritar o que queremos dizer, porquê????
Porque, às vezes, demoramos demasiado tempo a perceber certas coisas.
Por isso não esperes pelo Natal, para dizeres o que sentes, para dares o que queres oferecer, a perceber que a vida é feita de pequenos gestos, pequenas acções...Porque Natal é quando nós quisermos!

Desejos de um Natal tranquilo e sereno

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Uma etapa entre muitas

Tenho uma amiga, que tem uma filha com microcefalia e outros problemas associados. A C. é uma linda e doce menina, que ao longo dos seus 4 aninhos tem sofrido muito. Um sofrimento injusto para ela e qualquer criança. A mãe vive cada momento da C., muitas vezes mergulhada numa angústia sem retorno. As etapas que tem percorrido são uma mais dificil do que outra. Hoje a C. tem mais uma dessas etapas, que parecem não ter fim. Foi internada para colocar uma sonda. A C. já não consegue comer e por isso esta operação era inevitável.
Quero deixar aqui o meu apoio incondicional à C. e à mãe e dizer que esta é mais uma etapa, mas não estão sozinhas na vossa luta, na vossa dor, no vosso sofrimento.Nós estamos aqui hoje e sempre!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Mais um dia difícil para mim...

Estava uma manhã calma e decidimos ir dar um passeio. Fomos ao centro comercial. A L adora ver as luzes e brincar no cantinho do Pai Natal.
Hoje acordei um pouco em baixo….Não dormi muito bem, facto que para mim já é normal. Desde a gravidez da R, que durmo mal. Claro que depois de tudo o que passei, seria anormal se dormisse uma noite inteira.
Hoje a L entendeu com uma bebé. A mãe olhou para mim e disse: “Já está na hora de lhe dar um irmão”. Não respondi. Sorri serenamente e pensei: “Se soubesses, que eu já lhe dei uma irmã”.
Esta época natalícia sempre foi muito linda para mim. Desde pequena que adoro o Natal e tudo o que o envolve. Este ano, tudo é diferente para mim. Gostava que a R estivesse cá connosco….
Sinto muito a falta dela, de a sentir na minha barriga, de conversar com ela..
Na minha cabeça, sossega-me saber que hoje ela não está a sofrer. No meu coração, vagueia a dor de não a poder ter junto de mim.
A R sofreu muito dentro de mim, embora os médicos digam o contrário. Dizem que o diagnóstico da R era tão mau, que ela nem teria noção do que lhe estaria a acontecer. Quero acreditar nisso, mas não consigo.
Só sei que sinto muito a falta dela. Gostava de ter as minhas duas meninas juntas.
Toda a gente me diz que não tenho a R, mas tenho a L. Deus me guarde a minha querida menina, que eu amo profundamente, mas um filho não substitui outro.
Amo incondicionalmente a L e a R. Um amor que só uma mãe entende, um amor que, às vezes faz doer. Faz doer, porque sofro por as ver sofrer. Sofri muito pela R, porque sentia o seu sofrimento. Sofro pela L, porque tenho muito medo que ela sofra seja pelo que for. Só peço a Deus que proteja a minha L e guarde a minha R.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Diferente e Especial

Vou contar-vos a história de uma menina que não sabe contar até 10.
A DE, era uma menina que quase nunca saia de casa, quase nunca brincava, quase nunca falava. Ninguém a compreendia, ninguém a procurava.
Mas um dia, Matilde, sua vizinha, convidou-a para a festa dos números. Todos os meninos tinham que ir vestidos de um número que fosse de 1 a 10.
Chegou o grande dia.
DE vestiu o número 0 e dirigiu-se para a festa. Sentia-se muito feliz por Matilde se ter lembrado dela.
Chegou a casa de Matilde e tocou à campainha. Apareceu um menino, o Júlio que olhou para ela, soltando uma gargalhada.
Não percebendo a sua reacção, DE perguntou:
- Porque te ris?
Júlio respondeu-lhe:
- Rio-me de ti. Para a tua figura ridícula.
- Mas porquê? Estou vestida de números, tal como tu.
Júlio voltou a rir-se:
- Sim, mas eu estou vestido de 8 e nesta festa só entram os números de 1 a 10 e tu estás vestida de 0, por isso não entras. Dito isto, fechou-lhe a porta abruptamente, sem esperar por resposta.
DE afastou-se muito triste e sussurrou:
- Mas eu não sei contar até 10….
Já ia longe, quando ouviu chamar por ela.
- DE, DE, espera. – era Matilde.
- DE, anda comigo para a festa. O Júlio é um menino mau.
- Mas….mas…eu não sei contar até 10.
Matilde sorriu, pegou na mão de DE e disse-lhe:
- DE, tu és o 0 e eu o 1. Juntas formamos o número 10. Quer dizer que podes entrar na festa dos números. E lembra-te DE, tu és Diferente e Especial, mesmo não sabendo contar. Nunca deixes que ninguém te tire isso!

Hoje comemora-se o Dia Internacional da Deficiência, por isso, quero dedicar esta história a todos os meninos e meninas Diferentes e Especiais!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

“Toda a gente é capaz de dominar uma dor, seja ela física ou psicológica…excepto quem a sente”

Todos nós em algum momento, já nos “vangloriamos” perante alguém, de sermos perfeitamente capazes de aguentar uma determinada dor, seja ela uma dor de dentes, ou a dor de um desgosto amoroso. Claro que sim! Não duvido. Mas será que alguém que está a sentir a dor naquele momento, se sente capaz de assumir que domina a dor? Ou será que já se sentiu verdadeiramente a dor?
O que pode dizer um pai que perde o seu filho? E aquela mãe que vê o seu filho perder-se no mundo da droga? E todos aqueles pais, que diariamente, observam os seus filhos a sofrerem, sem nada poderem fazer, sentindo-se impotentes perante o seu sofrimento? O que dizer, as mães que um dia viram os seus filhos desaparecerem num segundo? Como se lida com a indiferença de um filho?
Será que estes pais e mães, conseguem dominar a dor que sentem?
Toda a gente é capaz de dominar uma dor, seja ela física ou psicológica…excepto quem a sente!