sábado, 29 de novembro de 2008

“Sem Título”

Estamos aqui, no Hospital,
Onde as dores são frequentes;
Mas cá, o pessoal
Traz alegria aos doentes.

Pais, enfermeiros, doutores e educadoras
Sempre preocupados com a nossa saúde.
Os doutores, os nossos operadores
Cada um com a sua virtude.

Os pais sempre a dar a opinião,
As educadoras sempre com animação,
Os enfermeiros sempre a dar a mão,
E os doutores sempre de bom coração.

O Doutor Mário é preocupado.
Ele dá-me a má e a boa novidade.
É brincalhão e bem disposto.
E no bloco faz cada actividade!

O Doutor Seabra é mais sério
Mas tem muito que se lhe diga.
A sua vida é um mistério
Por ser dedicado, fiquei sua amiga.
Os outros doutores que me desculpem
Mas não os conheço bem.
Aparentam ser bons médicos
E divertidos também.

Os enfermeiros são muitos.
Cada doente tem os seus preferidos.
Sou incapaz de me esquecer deles
E dos meus gemidos!

São eles que nos ouvem berrar
Muitas vezes chorar.
Mas também são eles que, com os nossos pais,
Nos sabem acalmar.

Agradeço aos doutores e enfermeiros
Que se ocupam de nós dia após dia.
Mas sobretudo, agradeço ao meu corpo
Que se aguenta com toda esta fantasia.

Mas há a Cristina e a Ivone
Que nos pregam muitas partidas,
Só com um microfone,
Conseguem ser divertidas.

A Cristina, mais redondinha,
É simpática e divertida.
É muito fofinha
Mas já é comprometida!

A Ivone, mais pequenita,
Tem muita imaginação.
É jeitosa e bonita,
E tem um grande coração!

Falta falar do Issa,
Que é impossível descrever.
Gosto tanto dele,
Que um livro sobre ele hei-de escrever.

Adoro tudo isto,
Mas estou farta da pseudomona,
Eu nunca tinha visto,
Uma bactéria tão resmungona!

Por isso há um problema!
Nunca mais saio daqui,
E o raio deste sistema,
Não me ajuda a dizer: CONSEGUI!!!!!

Carina Silva
14 anos

(internada no hospital pediatrico, onde eu fazia voluntariado)

O sorriso de uma criança

O sorriso de uma criança, é para mim, um dos momentos mais fantásticos, que a natureza me oferece.
Traz-me a certeza de que entre todos os momentos difíceis da nossa vida, entre todos aqueles que praticam e desejam a escuridão, entre todos os dias negros e tempestuosos, há uma luz que nos invade a alma, uma serenidade que aquece o coração, um espectáculo que nos ilumina o olhar.
Isto acontece, naquele momento que, uma criança sorri para mim.


Este é dedicado a todas as crianças

A doçura do teu olhar

A doçura do teu olhar,
A serenidade no teu rosto angélico e ternurento,
A formosura do teu andar,
A delicadeza no teu tocar,
A sensibilidade do teu sorrir,
Fazem de ti o sol na vida
Dos que te rodeiam
O esplendor do teu coração,
A harmonia no teu sentir,
A leveza do teu falar,
A grandeza do teu ser,
Fazem de ti a essência
Do nascer de uma bonita manhã,
Fazem de ti a luminosidade
De um dia sereno e calmo,
Fazem de ti a minha riqueza
O meu maior tesouro.

Dedicado à L e à R!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

“A menina que decidiu o seu destino”

Hannah de 13 anos, é uma adolescente do Reino Unido. Tem uma leucemia. Da sua incessante e árdua luta contra este “ monstro”, surgiu um efeito secundário que lhe marcaria o destino…
A Hannah tem um buraco no órgão vital e para sobreviver precisa receber um novo coração.
Mas esta doce menina não quer um novo coração. Quer apenas, aproveitar o tempo que lhe sobra e estar junto de quem ama, em paz.
Hannah trocou o internamento no hospital, com toda a tortura diária dos tratamentos, o perpetuar da angústia das eternas idas ao hospital, pela paz de espírito, pela serenidade do lar.
O Hospital onde é tratada, iniciou procedimentos legais, para a retirarem dos pais, acusando-os de não quererem que a filha fosse tratada. Mas Hannah convenceu a protecção de menores, de que tinha vontade própria e decidiu o seu próprio destino.
A mãe diz: “Sei que muita gente pensa que devíamos força-la a fazer o transplante, porque isso lhe prolongaria um pouco mais a vida(…)”
(…) “Nenhum pai quer sequer imaginar que o filho está a morrer. Mas que pais querem colocar os seus filhos durante anos sobre um intenso e doloroso rol de operações e tratamentos que não oferecem nenhuma garantia de sobrevivência?”
Os pais são capazes de tudo por um filho, porque não há maior amor do que o amor por um filho!

domingo, 23 de novembro de 2008

O meu cérebro

O meu Cérebro é o meu mundo!
Suporto o Mundo com o meu Cérebro...
Há Mundo(s)...
A realidade que o meu Cérebro detém não é, vai sendo...
Movimento-me, comunico, aprendo, emociono-me porque tenho Cérebro.
Com o meu Cérebro inicio-me e com ele me extingo...num permanente
Movimento de ajustes:
Físicos
Psíquicos (afectivos e emocionais)
Sociais
Linguísticos
Conceptuais

(Ana Paula Santos, Maria Alcina Meneses, Teresa Alexandra Guedes)

Definição de Microcefalia...

A microcefalia pode ser definida como sendo a situação em que o cérebro permanece anormalmente pequeno, sendo fácil reconhecer: o crânio é extremamente pequeno e raramente tem mais que quarenta e cinco centímetros de circunferência quando a criança estiver com um ano e três meses de idade; as fontanelas fecham-se prematuramente, não permitindo que o cérebro alcance proporções normais no seu tamanho.

Microcefalia é o crânio de tamanho menor que o normal, caracterizado pela desproporção entre a face e a caixa craniana, sendo a sua configuração peculiar.

A microcefalia é caracterizada quando o diâmetro cefálico está abaixo da média.
As causas da microcefalia podem ser: genética, toxicidade, problemas circulatórios, etc., que ocorrem durante a gestação ou mesmo precocemente na vida pós-natal. Em geral está associada a outras anomalias cerebrais.
Pode estar associada à Epilepsia, bem como pode exibir ou não quadros de distúrbios motores. O desenvolvimento da linguagem pode ser demorado e outras deficiências podem estar associadas em função das outras lesões cerebrais concomitantes.

Quando o mundo te cai aos pés…

Estava uma linda tarde de Setembro, o sol espreitava com força e com uma luminosidade admirável.
Sentia-me bem, apesar dos últimos acontecimentos. Na semana anterior, tinha estado internada com ameaça de parto (as 33 semanas). Já era a segunda ameaça, mas desta vez tinha ficado internada.
Foi um tormento, pois fui obrigada a ficar separada da minha filha mais velha e do meu marido.
Naquele dia sentia-me feliz e ansiosa por ir ver a minha R (já não a via desde as 22 semanas). Apesar desta gravidez não ter sido nada fácil, eu andava radiante, sentia-me a mulher mais feliz do mundo, sentia-me de bem com a vida e a verdade é que tinha tudo para me sentir assim.
A ecografia estava marcada para as 15h. O P foi-me levar e disse-lhe que não precisava ir comigo. Era só mais uma ecografia e o P estava cheio de trabalho nesse dia.
Aguardei calmamente na sala de espera. Enquanto esperava a minha vez, lembro-me de ir olhando para a barriga de cada grávida que entrava (facto comum entre grávidas). Sentia-me orgulhosa com a minha barriga enorme e fazia questão de a exibir.
Chegou a minha vez. Como já era habitual (até porque eu já não era nova nestas andanças), deitei-me na marquesa, com a barriga bem patenteada. A obstetra sorriu para mim e perguntou-me se era o primeiro filho. Respondi-lhe que era a segunda menina.
Começou a ecografia e logo no início, notei uma expressão carregada na médica. Normalmente, tinha uma expressão menos séria. Perguntei-lhe se estava tudo bem. Respondeu-me que falaria no fim do exame. Apesar disso, acreditei sempre que estaria tudo normal e que a médica não estaria nos seus dias. O tempo começou a ser longo demais para uma simples ecografia e a minha confiança foi descendo de patamar. Tive o meu primeiro arrepio de frio. Senti que algo não estava bem, mas não me deixei assustar. Aguardei, pacientemente, pelo fim do exame.
- Pronto, terminei. – disse a obstetra.
Perguntei-lhe, pela segunda vez, se estava tudo bem.
Antes de me levantar, olhou fixamente para mim e respondeu:
- A sua bebé tem problemas.
Aquela frase, foi como se o mundo de repente, me caísse aos pés…
Ainda assim, respirei fundo e segurei todas as minhas lágrimas. Questionei-a sobre os problemas da minha bebé.
Explicou-me que a minha R tinha problemas graves no cérebro. A eco apresentava líquido excessivo no cérebro, uma hidrocefalia. A bebé iria sofrer atraso de desenvolvimento, segundo a médica, mas mais nada adiantou. Mandou-me contactar o meu médico assistente.
De repente, as lágrimas contidas, saltaram-me dos olhos, sem pedir licença e apenas senti o mundo fugir-me, sem que nada pudesse fazer….
Saí da sala e liguei ao P, que veio logo em meu socorro, como sempre faz.
Quando chegou, eu estava numa sala ao lado da sala de espera.
Só consegui abraçar-me a ele, chorar e tentar dizer-lhe o que se passava com a nossa bebé.
Juntos, chorámos o primeiro de muitos choros. Sofremos o princípio de um grande sofrimento e sentimos juntos que o mundo nos caíra aos pés…

domingo, 16 de novembro de 2008

A Ventriculomegalia cerebral fetal e a Hidrocefalia

A ventriculomegalia trata-se de uma dilatação ventricular. Segundo alguns estudos, em 60% dos casos, a dilatação ventricular é isolada.
Pilu et al, mostraram que a largura atrial dos ventrículos laterais de fetos normais permanece constante durante a gestação, com um diâmetro médio de 6,9+-1,3mm., sendo considerada moderada ventriculomegalia um diâmetro entre 10-15mm e severa ventriculomegalia acima de 15mm.
A etiologia da ventriculomegalia permanece desconhecida. Provavelmente é multifactorial e frequentemente encontra-se associada com anomalias do sistema nervoso central, alterações cromossómicas, infecção fetal ou hemorragia intracerebral.
A ventriculomegalia pode ser o primeiro estágio da hidrocefalia, antes do aumento do perímetro cefálico.

A hidrocefalia é definida como um acúmulo excessivo de líquor cefalorraquidiano (LCR) acompanhado de excessivo crescimento do perímetro cefálico (já a ventriculomegalia descreve o aumento dos ventrículos sem aumento do perímetro cefálico).