quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Revivendo cada momento….

É a primeira vez, que falo um pouco mais sobre isto. Mas preciso de falar…
Fez hoje um ano que a minha R partiu.
Quando acordámos naquele dia, não sabíamos o que iria acontecer.
Tivemos uma noite horrível. Por isso, não acordámos muito bem. Tomámos o pequeno-almoço e aguardávamos uma chamada do hospital para eu ser ou não internada.
Naquele tempo de espera (mais ou menos entre as 9.30 e as 11h), senti todo este tempo a R. Mas sentia-a de uma forma estranha (como já acontecera outras vezes).
Ela não parava de soluçar (achava eu que seriam soluços). Mas os soluços não duram horas.
Recebemos a chamada do hospital e a partir daquele momento, nunca mais senti a R. Era como se ela tivesse querido dizer-me adeus.
Fui internada às 14.30, no dia de aniversário do meu marido.
A equipa foi acompanhando todos os desenvolvimentos, fazendo ecografias e outros exames.
Depois passámos a tarde no quarto. Eram umas 20h aproximadamente, que um médico nos chamou para fazer uma ecografia.
O exame decorreu naturalmente, sem que eu proferisse qualquer palavra.
Assim que terminou, o médico olhou nos meus olhos e disse-me: “o coração da sua bebé deixou de bater”.
Levantei-me, vesti-me, tudo sem dizer nada, sem reacção.
Quando saí da sala, gritei, gritei uma dor que jamais vos conseguirei explicar.
No fundo, eu já sabia que a R tinha adormecido, mas entrei em estado de negação e naquele momento, caí em mim e quase morri de dor…
Nesse mesmo dia, deram-me medicação, para apressar o parto, mas depois teria que aguardar até que o meu corpo tivesse pronto para esse momento.
No dia 22, fazíamos anos de casados e passámos o dia todo à espera, de um momento que era suposto ser um acontecimento de felicidade, tal como foi o da L.
Às 02:00 da manhã, comecei a sentir as primeiras dores e começaram os exames. Às 4 da manhã levaram-me definitivamente para a sala de partos. Depois de um grande sofrimento, às 10 horas nasceu a minha menina….
Mas não acabou aqui o meu sofrimento. Só saí da sala de partos às 3 da manhã de 23 para 24 de Outubro.
O sofrimento físico terminou nesse dia (mais ou menos).
O sofrimento emocional, esse, continuará sempre presente nas nossas vidas. Atenua, mas nunca se ultrapassa.
Tudo o que vivemos foi demasiado traumático, para se passar ao lado.
Queridos leitores deste blog, amigos, familiares, apenas vos quero dizer que Nós reaprendemos a viver, vivemos um dia de cada vez, lutamos muito para continuar as nossas vidas e fazer por dar uma vida saudável à L, mas a R estará sempre, sempre presente nos nossos corações e mente…
Obrigada por me lerem!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Um caso real…

Vou falar-vos de um caso, que vi no programa Dr. Phil. Não quero de forma alguma, contar-vos mais uma história, entre tantas, que existem pelo mundo fora. Quero através deste testemunho real, transmitir a todas as mães, pais, de crianças doentes, com problemas, pais que perderam os seus filhos, que, de uma forma ou de outra, acabamos todos por passar pelas mesmas angústias, pelo mesmo sofrimento, pelas mesmas frustrações. Todos os pais que passam por situações complicadas com os seus filhos, não sofrem mais nem menos que outros com um problema diferente. Apenas a história é distinta.

“Kevin e Shauna têm Apton, uma criança com uma doença rara. Sabem que a sua esperança de vida pode ser de meses, de 1 ou 2 anos, não mais do que isso.
Kevin, não consegue lidar ao ver o seu filho com deficiência, a sofrer diariamente. Não aguenta a pressão da mulher que critica tudo o que ele faz, por mais que se esforce para a agradar. Kevin, encontrou no álcool uma fuga para apagar momentaneamente, a sua dor.
Shauna, não tem ninguém a quem dizer: “Porque tem o meu filho que viver isto? Porque não pode ele ser uma criança como as outras? Quando o vou perder?”. Então, descarrega aquilo que não consegue controlar – a dor – em quem tem mais disponível – Kevin, o seu marido. Ela culpa-o de beber. Claro que não deve beber. Todos já sabemos isso. Mas, na verdade, não é por causa do álcool que ela discute com ele. Andam sempre a discutir, porque quando temos problemas, tendemos a ter frustrações não direccionais, ou seja, gritar, embirrar, implicar, com os que estão mais próximos de nós.”
Todos já vivemos isto, ou algo do género. Ainda ontem, tive uma situação completamente ridícula, mas com fundamento. Ao estacionar o carro, tinha à minha frente um carro de miúdos, que se preparavam para sair e eu aguardava que saíssem, para poder fazer melhor a manobra. Como não se decidiam a sair, tive que fazer no mínimo três manobras para conseguir estacionar o carro. Apercebi-me que não tiravam os olhos de mim, enquanto estacionava. Provavelmente, estavam a achar piada ao meu “desconcerto” em conseguir estacionar. Noutra altura, talvez tivesse achado piada. Numa altura, de grande stress, sofrimento, não achei graça nenhuma. Saí do carro, e perguntei-lhes se havia algum problema ou se queriam alguma coisa (num tom bastante alto). Eles, olharam uns para os outros, a pensar que provavelmente, tinham à sua frente uma louca e arrancaram com o carro.
Obviamente, que naquele dia o que estava eu a fazer? A direccionar as minhas raivas, para alguém que teve o azar de estar ali aquela hora, e teve que gramar com uma “doida varrida”.
Com isto tudo quero dizer que, todos sofremos, todos vivemos as nossas dores, todos direccionamos frustrações, mas nunca somos um fracasso. Só somos um fracasso, quando o “jogo” acaba e nós ficamos para trás. Mas, para nós o “jogo”, não acabou. E nós ainda podemos tomar decisões, fazer escolhas, viver um dia de cada vez, Hoje e Amanhã!

domingo, 4 de outubro de 2009

Mês difícil...

Parece que foi ontem...
Mas a verdade, é que já faz um ano, que iniciei o percurso mais terrível da minha vida.
Exames, esperas intermináveis, consultas, diagnósticos, sentimentos diversos, emoções ao rubro....
Dia 21, fará um ano que perdemos a nossa R. Mais triste se torna, porque é o dia de anos do meu marido e no dia seguinte fazemos anos de casados. Dia 23, foi o dia do nascimento da minha R.
Este é um mês muito difícil para nós.
Como se não bastasse, ando a rebentar pelas costuras. Conciliar tudo não é fácil, mas tenho conseguido e irei continuar. Sinto que ando muito stressada. Qualquer coisa que me digam, que eu considere injusto, disparo logo. Nem dou hipótese da pessoa se defender.
Antigamente, calava-me, engolia tudo para não arranjar conflitos. Agora, houve como uma transformação em mim. Nada fica por dizer. Ainda que a verdade seja cruel, eu digo-a, pois só assim me sinto honesta. Se fizesse o contrário, apenas para agradar, estaria a ser hipócrita.
A minha vida mudou, eu mudei, nós mudámos...
Queria apenas partilhar estes "sufocos", convosco, pois sem nos aperecebermos, em Novembro faz um ano, que criei o meu blog e também que conheci algumas de vocês, em especial a Grilinha que tanto me ajudou. A todas as pessoas que foram passando por aqui, que conheci, que fui partilhando experiências, quero dizer-vos que jamais me esquecerei de vocês.