Tenho estado muito ausente…eu sei. A verdade é que passei há pouco tempo, uma fase mais difícil.
Passaram-se 6 meses, desde a partida da minha R. Seria de esperar, provavelmente, que após este período, eu estivesse a melhorar. Bom, tenho dias….Dias em que me sinto melhor com a vida, mas há outros em que a angústia é mais forte que tudo o resto. Sinto-me perdida em mim e na minha dor. Tudo o que faço é um esforço. Arrasto-me, muitas vezes, mas sigo em frente. Não sei bem como, mas sigo e não me permito desistir. Mesmo quando vou lá ao fundo, logo me obrigo a levantar. Devo isso aos três amores da minha vida: as minhas filhas e o meu maravilhoso companheiro. A R partiu, mas a L precisa de mim, e por ela e pelo meu marido exijo de mim, forço-me a caminhar.
Não há ninguém mais do que eu, que queira sossegar o meu coração, tranquilizar o meu estado de alma, dar paz à minha R, dar luz à minha L, dar vida ao meu P. Mas, a verdade, é que tudo tem um tempo. Um tempo para sofrer, um tempo para chorar, um tempo para recolher, um tempo para serenar e um tempo para continuar a viver, ainda que de uma forma diferente.
sábado, 25 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Ir vivendo...o luto
Sentimento de pesar ou dor pela morte de alguém, uma tristeza profunda é uma palavra usada para indicar uma variedade bastante grande de processos psicológicos, conscientes e inconsciente, provocados pela perda de uma pessoa amada. A perda de um filho é uma das experiências intensamente mais dolorosas que o ser humano pode sofrer. É penosa não só para quem experimenta como também para quem observa (FREITAS, 2000).
Sim, o luto é tudo isto e muito mais. Além desta tristeza profunda, de que fala o autor, o luto causa dor física e emocional. É uma ferida que precisa de atenção para ser curada. Vivemos momentos carregados de angústia, culpa, impotência, desespero. Sentimo-nos vazios, é como se nunca mais conseguíssemos sentirmo-nos verdadeiramente vivos, na verdadeira acepção da palavra. Perdemos o sono, perdemos o apetite, perdemos a vontade de estar com os outros, de fazer aquelas actividades que fazíamos sempre, como ir às compras, passear no shopping, ler um livro. Fica tudo lá atrás, num tempo que agora nos parece longínquo.
A perda de um filho, é uma interrupção, um corte de uma sequência esperada. A morte, é uma perda sem retorno.
Passamos por tantas fases, todas elas cobertas de sentimentos e emoções diversas.
Eu comecei pelo estado de choque, um estado que durou alguns meses. Não foi um “fingir” que nada aconteceu, mas foi uma procura incessante de esconder sentimentos, emoções, uma luta constante com a mente e com o coração. Foi um “sei que aconteceu, mas agora vai ficar ali na caixinha, porque não posso falar, sentir, pensar em nada do que aconteceu”. E andei assim, fazendo a minha vida, mais ou menos normal, como se tivesse vivido um pesadelo, mas que não passou disso mesmo.
Entretanto, procurei ajuda psicológica. Actualmente, estou numa fase de consciencialização, uma fase carregada de emoções demasiado fortes, com muito sofrimento psicológico e grande agitação física. Tenho crises de uma dor tão profunda, momentos de choro incontrolável. Há instantes de desespero. Há uma procura incessante de encontrar a minha menina. Procuro-a em todos os bebés que vejo, procuro-a nas crianças com deficiência, procuro-a em casa, procuro-a na minha mente, procuro-a nos passeios que faço com a irmã e o pai. Passo o meu tempo, à procura do meu anjinho.
Tinha um vínculo com a minha menina que partiu. Esse vínculo, foi rompido, cortado no dia em que ela nasceu e que foi cortado o cordão umbilical. Nesse dia, perdi-a para sempre. É uma perda que não consigo aceitar. Não consigo conceber que a minha relação com ela tenha acabado.
E o lidar com tudo isto, com tantas emoções fortes, é… demasiado penoso, é um caminho excessivamente sombrio e imensamente espinhoso.
Sim, o luto é tudo isto e muito mais. Além desta tristeza profunda, de que fala o autor, o luto causa dor física e emocional. É uma ferida que precisa de atenção para ser curada. Vivemos momentos carregados de angústia, culpa, impotência, desespero. Sentimo-nos vazios, é como se nunca mais conseguíssemos sentirmo-nos verdadeiramente vivos, na verdadeira acepção da palavra. Perdemos o sono, perdemos o apetite, perdemos a vontade de estar com os outros, de fazer aquelas actividades que fazíamos sempre, como ir às compras, passear no shopping, ler um livro. Fica tudo lá atrás, num tempo que agora nos parece longínquo.
A perda de um filho, é uma interrupção, um corte de uma sequência esperada. A morte, é uma perda sem retorno.
Passamos por tantas fases, todas elas cobertas de sentimentos e emoções diversas.
Eu comecei pelo estado de choque, um estado que durou alguns meses. Não foi um “fingir” que nada aconteceu, mas foi uma procura incessante de esconder sentimentos, emoções, uma luta constante com a mente e com o coração. Foi um “sei que aconteceu, mas agora vai ficar ali na caixinha, porque não posso falar, sentir, pensar em nada do que aconteceu”. E andei assim, fazendo a minha vida, mais ou menos normal, como se tivesse vivido um pesadelo, mas que não passou disso mesmo.
Entretanto, procurei ajuda psicológica. Actualmente, estou numa fase de consciencialização, uma fase carregada de emoções demasiado fortes, com muito sofrimento psicológico e grande agitação física. Tenho crises de uma dor tão profunda, momentos de choro incontrolável. Há instantes de desespero. Há uma procura incessante de encontrar a minha menina. Procuro-a em todos os bebés que vejo, procuro-a nas crianças com deficiência, procuro-a em casa, procuro-a na minha mente, procuro-a nos passeios que faço com a irmã e o pai. Passo o meu tempo, à procura do meu anjinho.
Tinha um vínculo com a minha menina que partiu. Esse vínculo, foi rompido, cortado no dia em que ela nasceu e que foi cortado o cordão umbilical. Nesse dia, perdi-a para sempre. É uma perda que não consigo aceitar. Não consigo conceber que a minha relação com ela tenha acabado.
E o lidar com tudo isto, com tantas emoções fortes, é… demasiado penoso, é um caminho excessivamente sombrio e imensamente espinhoso.
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