sexta-feira, 26 de junho de 2009

Hoje

Hoje, vou partilhar convosco, um sentimento meu.
Para quem me conhece bem, sabe que não é costume. Mas, a vida vai-nos transformando e este é um dos meus primeiros passos para me libertar da prisão em que própria me coloco, no que diz respeito a sentimentos e emoções.
Durante toda a minha vida, fui experienciando momentos verdadeiramente difíceis. Nalguns momentos, achei mesmo, que nunca os iria ultrapassar.
Em cada uma das minhas vivências, fui encontrando forças, fui reunindo defesas, para ir saltando cada obstáculo que persistia em empatar o meu caminho pela estrada da Vida.
Nem sempre, dei o melhor salto, mas, ainda que em algumas vezes, tropeçasse e chegasse mesmo, a cair, levantei-me sempre.
Quando achei que, talvez já tivesse passado o suficiente para uma vida só, e que agora tinha chegado a hora de ser recompensada pelo sofrimento vivido ao longo dos anos, recebo a notícia de que a minha filha mais nova tem um problema grave no cérebro.
O mundo caiu-me aos pés e perdi a noção do tempo, do espaço e da realidade. Tudo me parecia irreal. Não poderia estar a acontecer. Não comigo.
Hoje, sei que não aconteceu só comigo e com o meu marido. Acontece a centenas de pais, e que tal como nós, vivem momentos aterrorizadores, que parecem demasiado longos.
Perdi a minha filha e perdi uma parte de mim. Houve alturas, em que perdi a vontade de continuar a lutar, senti-me sem forças, sentia-me cansada, senti que afinal, eu não era forte, eu não era a mãe que pensava ser, não era a mulher que o meu marido merecia, não era a profissional que julgava ser…
Agarrei-me à ilusão de que poderia manter a minha filha, junto de mim, ainda que não como desejava, mas de uma outra forma.
Caí. Caí num labirinto, e não encontrava a saída. O desespero, a angústia apoderou-se de mim.
Tinha a minha filha mais velha para criar, ela precisava de mim e eu não sabia como o fazer…
Houve um momento que me obrigou a parar. Fui ao fundo da minha alma, do meu interior.
Naqueles momentos, que fui vivenciando, neste percurso dentro de mim própria, percebi que, apesar de ter perdido a minha filha, ela estará sempre dentro de mim, estará sempre a olhar por nós, e onde quer que ela esteja, sei que estará num lugar muito melhor, sem sofrimento, sem dor. Quando percebi isto, atingi a tranquilidade que tanto necessitava. Voltei a lutar, encontrei a saída daquele labirinto e compreendi que, podemos não ter tudo o que desejamos, mas temos sempre alguma coisa. Aprendi a dar mais valor ao que tenho, aprendi a ir gerindo a minha nova realidade, estou a aprender mais sobre mim e Hoje vivo um dia de cada vez.
Tenho uma filha maravilhosa, um marido fantástico, uma família que me apoia sempre, amigos do coração e tenho uma Estrelinha no Céu, que nos protege e que me ajuda a não desistir e continuar a lutar.
Nas nossas Vidas, temos sempre um Anjo, que nos acompanha em todos os caminhos que percorremos. Esse Anjo está sempre ALI!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Anjo Luz

Hoje, senti-me feliz. Senti-me feliz porque, a cada dia que passa, percebo que a minha R, continua comigo, connosco.
Está ali, no Céu, a olhar por nós e por todas as crianças como ela. Sei disso. Diz-mo o meu coração de mãe.
Poderia contar-vos várias provas, em como ela procura mostrar-me, que estará sempre aqui e vai tranquilizando o meu coração.
Mas, como não posso contar-vos todas, vou partilhar uma muito significativa para mim.
Há uns tempos, encontrei aqui uma amiga, como todas as amigas que aqui tenho conquistado e que, de uma maneira ou de outra, já fazem parte da minha vida.
Essa amiga, estava a viver uma situação semelhante à que vivi. Sentia todos os medos, inseguranças, desesperos, angústias, incertezas, o não perceber porque tinha que esperar por um resultado que só chegaria mais tarde, quando devia chegar naquele dia. Porque, quando somos confrontados com a notícia de que o nosso filho tem um problema, qualquer espera, por qualquer exame, nos parece demasiado demorado e não conseguimos perceber, porque temos de esperar um resultado daqui a semanas, dias, e porque não o podemos ter hoje…
Essa amiga, foi partilhando comigo tudo isto e muito mais.
Rezei muito por ela e pedi à minha R, que protegesse, de alguma forma, aquela bebé.
E protegeu. Veio o resultado. Passadas algumas semanas, os valores não aumentaram, mantém-se, o que é considerado muito positivo, dado o estado já avançado da gravidez.
Senti-me mesmo bem, porque senti a minha R, senti o meu Anjo Luz!
Para ti minha amiga, mantém essa força. Terás um final feliz!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Estrelinha do Céu...

Hoje, tenho uma estrelinha no céu. Uma estrelinha muito especial.
Uma estrelinha que procuro, em vários momentos do meu dia.
Procuro-te, quando tenho medos, inseguranças. Procuro-te quando a dor se torna quase insuportável. Procuro-te quando sinto aquele aperto no peito, aquele grito que não sai e me consome por dentro. Procuro-te quando não consigo ser a mulher, a mãe, a profissional perfeita. Procuro-te para me deitar no teu colo, tal como tu te deitaste no meu, e sentir-te, sentir as tuas mãozinhas a afagarem-me. Procuro-te na noite terna, numa esperança de te ver a brilhar, e cantar-te uma canção de embalar. Procuro-te, em cada momento de alguma vitória, para partilhá-la contigo. Procuro-te, para, de alguma maneira, a tua luz me fazer sentir um bocadinho mais viva.
É em ti, que procuro, a tranquilidade e a serenidade que preciso para dar continuidade ao nosso percurso de vida, em particular o da tua irmã e do teu pai.
É a ti que procuro para acalmares o meu coração em ferida.
Hoje e para sempre a minha Estrelinha do Céu….

terça-feira, 9 de junho de 2009

Juntos com o JP



Todos os dias, vemos e ouvimos histórias de pais de crianças com deficiência.
Cada história é única, mas a realidade é igual para todas elas. Para além do sofrimento diário, de assistirem aos problemas dos seus filhos, vivem a cruel realidade de não poder contar com as ajudas que tanto se ouve nas vozes dos nossos governantes.
A verdade é uma só: se não for cada um dos pais, familiares e amigos a moverem acções como esta petição da Grilinha, a lutarem pelo que os seus filhos têm direito, mais ninguém o faz. Direito, a serem tratados com dignidade, com zelo, com profissionalismo, pelos técnicos que acompanham os seus tratamentos e serem respeitados como seres humanos por quem escreve as leis, por quem lidera um país, que se move, não pelas questões realmente importantes, mas sim por factos fúteis, por politiquices e burocracias frívolas.
Relembro aos mais esquecidos e desligados destas questões, que a 20 de Novembro de 1959, foi aprovada, por unanimidade, pela Assembleia Geral da ONU, integralmente, fiscalizada pela UNICEF (Organismo da ONU, criada com o fim de defender e integrar as crianças na sociedade e zelar pelo seu convívio e interacção social, cultural e até financeiro conforme o caso, dando-lhes condições de sobrevivência até à sua adolescência), a Declaração Universal dos Direitos das Crianças.
No Princípio V – Direito à educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente.
A criança física ou mentalmente deficiente ou aquela que sofre de algum impedimento social deve receber o tratamento, a educação e os cuidados especiais que requeira o seu caso particular.


http://grilices.blogspot.com

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