Ao longo de toda a minha história de vida, fui vivenciando várias separações, por diferentes circunstâncias.
Qualquer que seja o motivo de uma separação, traz sempre emoções e sentimentos nebulosos.
A pessoa que se separa da família, o pai que se separa do filho, a criança que se separa dos seus amigos, a rapariga que se separa dos colegas da faculdade, o namorado que se separa da namorada, as crianças que se separam dos seus pais, a esposa que se separa do marido, enfim….
Qualquer que seja a partida, deixa marcas, umas mais profundas que outras.
Há imagens que ficam registadas na nossa mente, como excertos de filmes, e que, de tempos a tempos, nos obrigam a rebobinar. Quando o fazemos, há sensações que regressam e nos assustam, porque, na verdade, não queríamos que voltassem. Queríamos que ficassem fechadas no baú para sempre.
Da R, separei-me várias vezes. No momento do parto, no momento a seguir em que ma trouxeram e a pude segurar nos meus braços, no dia seguinte, em que a quis voltar a ver, no dia em que saí do Hospital e tive de a deixar, no dia em que regressei a Portugal, cada vez que saia de casa, sentia que me separava dela. Quis mantê-la comigo, o mais tempo que me era possível, já que sabia que um dia a verdadeira separação chegaria.
Chegou esse momento… Separei-me mesmo dela. Mais uma separação na minha vida.
Mais um pranto silencioso, uma ferida que não sara, uma chama que arde, uma lágrima que salta…
Tudo isto acontece, quando nos separamos de alguém, de alguma coisa.
Mas há uma separação real?
Não há. Porque ninguém, nada, nos tira as imagens, os momentos e em especial o amor, a ligação que sentimos dentro de nós. Se um dia tudo isto desaparecer, então direi que de facto, me separei de alguém. Para já, direi que a R, estará sempre no meu coração, na minha mente, na vinculação entre mãe e filha.
sábado, 30 de maio de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
PARTIU PARA SEMPRE
Hoje, 23 de Maio de 2009, faz 7 meses que perdemos a R.
Até esta data, guardamos as suas cinzas em nossa casa. Achei que seria uma forma de a ter comigo para sempre, ainda que desta maneira.
Há medida que o tempo foi passando, percebi que não podia ser egoísta e não podia impedir que a R partisse mesmo.
Mantê-la em casa, foi um prolongamento de um sofrimento e angústia, iniciados no dia em que a R adormeceu. Não permiti a paz que tanto a R precisa e não permiti a mim própria tranquilizar o meu coração em ferida.
O P sugeriu que a R partisse, no verdadeiro sentido da palavra. A ideia aterrorizou-me. Revoltei-me com ele. Achei que ele me queria tirar o que restava da minha querida filha.
Hoje, claramente percebo, que ele, como sempre o fez e faz, só me queria proteger de tamanha dor.
Decidimos os dois, deitá-la ao mar.
O mar tem um significado muito especial para nós. É nele que nos refugiamos quando estamos tristes. É ele que procuramos quando precisamos de reflectir. Ele enche e renova as nossas almas.
Hoje, eu, o P e a L, fomos até ele.
A L brincou, deliciosamente na areia, como tanto adora. Não precisava perceber o que eu e o papá pretendíamos fazer. Ainda é muito pequena.
Por isso, enquanto ela se maravilhava a brincar com as conchinhas e a fazer os seus desenhos na areia, eu e o P, cada um à sua maneira, despedimo-nos da R para sempre.
Pedi ao P que a levasse ao mar. Eu não o consegui fazer.
Quando o vi subir as pedras, dirigir-se ao fundo do paredão, gritei por dentro, uma dor quase insuportável.
O P, tomou coragem, despediu-se e num gesto maravilhoso, lançou a nossa R, naquele mar cheio de vida.
Chorámos de dor. Uma dor que não conseguimos explicar.
Ficámos muito tempo ali, a olhar o mar e a dizer Adeus para sempre.
Agora estou tranquila. Finalmente, a R terá a paz que tanto merece e nós conseguimos deixá-la PARTIR PARA SEMPRE!
Até esta data, guardamos as suas cinzas em nossa casa. Achei que seria uma forma de a ter comigo para sempre, ainda que desta maneira.
Há medida que o tempo foi passando, percebi que não podia ser egoísta e não podia impedir que a R partisse mesmo.
Mantê-la em casa, foi um prolongamento de um sofrimento e angústia, iniciados no dia em que a R adormeceu. Não permiti a paz que tanto a R precisa e não permiti a mim própria tranquilizar o meu coração em ferida.
O P sugeriu que a R partisse, no verdadeiro sentido da palavra. A ideia aterrorizou-me. Revoltei-me com ele. Achei que ele me queria tirar o que restava da minha querida filha.
Hoje, claramente percebo, que ele, como sempre o fez e faz, só me queria proteger de tamanha dor.
Decidimos os dois, deitá-la ao mar.
O mar tem um significado muito especial para nós. É nele que nos refugiamos quando estamos tristes. É ele que procuramos quando precisamos de reflectir. Ele enche e renova as nossas almas.
Hoje, eu, o P e a L, fomos até ele.
A L brincou, deliciosamente na areia, como tanto adora. Não precisava perceber o que eu e o papá pretendíamos fazer. Ainda é muito pequena.
Por isso, enquanto ela se maravilhava a brincar com as conchinhas e a fazer os seus desenhos na areia, eu e o P, cada um à sua maneira, despedimo-nos da R para sempre.
Pedi ao P que a levasse ao mar. Eu não o consegui fazer.
Quando o vi subir as pedras, dirigir-se ao fundo do paredão, gritei por dentro, uma dor quase insuportável.
O P, tomou coragem, despediu-se e num gesto maravilhoso, lançou a nossa R, naquele mar cheio de vida.
Chorámos de dor. Uma dor que não conseguimos explicar.
Ficámos muito tempo ali, a olhar o mar e a dizer Adeus para sempre.
Agora estou tranquila. Finalmente, a R terá a paz que tanto merece e nós conseguimos deixá-la PARTIR PARA SEMPRE!
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Aleluia
I’ve heard there was a secret chord
That David played and it pleased the Lord
But you don’t really care for music do you?
It goes like this – the fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled King composing Hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty in the moonlight overthrew you
She tied you to a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Maybe I’ve been here before
I know this room, I’ve walked this floor
I used to live alone before I knew you
I’ve seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It’s a cold and it’s a broken hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
There was a time when you let me know
What’s real and going on below
But now you never show it to me, do you?
And remember when I moved in you
The Holy Dark was moving too
And every breath we drew was hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
domingo, 10 de maio de 2009
Ir à lua com a L
Gosto de ti, mais do que tudo na minha vida. Amo-te incondicionalmente.
Tu que me dizes, tantas vezes, que "queres ir à lua", então, a mãmã, dedica esta canção da lua para ti meu anjo Luz. Levo-te à lua comigo...
Tu que me dizes, tantas vezes, que "queres ir à lua", então, a mãmã, dedica esta canção da lua para ti meu anjo Luz. Levo-te à lua comigo...
Sermos diferentes, sermos iguais...
Que o som destas maravilhosas melodias, cheguem a todos...
Dedico estas lindas canções à R e a todas as crianças diferentes e especiais...
Dedico estas lindas canções à R e a todas as crianças diferentes e especiais...
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Deixar partir...
Já referi aqui, algumas vezes, que no dia em que perdi a R (fisicamente), perdi também uma parte de mim. Uma parte que não recupero mais, tal como a minha filha R.
Mas durante estes 6 meses, fui mantendo a esperança de a ter aqui, junto de mim. Tentei,de várias formas, mantê-la no meu colo, o mais possível. Procurei, desesperadamente mantê-la presente nas nossas vidas.
Não quero e nunca deixerai que ninguém me tire a recordação da R. Ela fez parte da minha vida e fará sempre, porque ela existiu. Não foi um sonho. Foi uma realidade.
Contudo, sinto e sei, hoje que, tenho que a deixar partir. Ela precisa de repousar e ficar em tranquilidade. E precisa de sentir que a mãe a deixa realmente ir.
Talvez, estas palavras tenham sido as palavras mais dolorosas que tive de escrever, nos últimos anos da minha vida.
Deixar partir a R é demasiado doloroso para mim, mas sei que tenho de fazê-lo, para que ela fique em paz, para que eu possa seguir no caminho do bem-estar e poder assim voltar a ser a mãe da L, que precisa de mim, tal como a R precisou.
Dei o meu melhor pela R. Fui mãe dela no tempo que me foi permitido. Continuarei a ser a sua mãe, ainda que de maneira diferente. Mas agora é hora de a deixar....realmente... PARTIR.........
Mas durante estes 6 meses, fui mantendo a esperança de a ter aqui, junto de mim. Tentei,de várias formas, mantê-la no meu colo, o mais possível. Procurei, desesperadamente mantê-la presente nas nossas vidas.
Não quero e nunca deixerai que ninguém me tire a recordação da R. Ela fez parte da minha vida e fará sempre, porque ela existiu. Não foi um sonho. Foi uma realidade.
Contudo, sinto e sei, hoje que, tenho que a deixar partir. Ela precisa de repousar e ficar em tranquilidade. E precisa de sentir que a mãe a deixa realmente ir.
Talvez, estas palavras tenham sido as palavras mais dolorosas que tive de escrever, nos últimos anos da minha vida.
Deixar partir a R é demasiado doloroso para mim, mas sei que tenho de fazê-lo, para que ela fique em paz, para que eu possa seguir no caminho do bem-estar e poder assim voltar a ser a mãe da L, que precisa de mim, tal como a R precisou.
Dei o meu melhor pela R. Fui mãe dela no tempo que me foi permitido. Continuarei a ser a sua mãe, ainda que de maneira diferente. Mas agora é hora de a deixar....realmente... PARTIR.........
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